Hoje pela primeira vez aqui no blog, falarei de uma banda brasileira, o
Violeta de Outono. Preste atenção, leitor, pois essa é uma banda de longa data,
porém pouco conhecida, embora estejam na ativa até os dias de hoje.
Conheci a banda através de um primo meu de segundo grau, que em uma de
nossas poucas reuniões apresentou-me ao som do grupo. Entretanto, foram apenas
alguns anos depois, quando comecei minhas aulas de teclado que decidi ir atrás
e conhecer melhor. Fiquei impressionado por saber que ainda tocavam e decidi
então resgatar o som da banda, pesquisando seus álbuns antigos. Gostei bastante
do que ouvi, e agora posto aqui uma análise de um de seus álbuns.
O disco em questão é o álbum de estreia do grupo, de mesmo nome,
lançado originalmente nos anos 80. A edição que tenho em mãos é um CD importado
da Inglaterra, na forma de um mini-LP com direito a um encarte com as letras e
faixas bônus, da gravadora Voiceprint.
Eram os anos 80, década em que o rock nacional esteve em seu auge, em
minha opinião. Enquanto bandas como Titãs e Barão Vermelho faziam seu rock com
pegada funk e letras carregadas de temas
políticos, o Violeta de Outono apostou numa mistura de Rock Progressivo e
psicodelia, com letras sem um tema definido, apenas para acompanhar o som da
banda.
Temos então um trio de guitarra, baixo e bateria, sem teclados, o que é
raro nesse estilo. Entretanto as linhas de guitarra de Fábio Golfetti,
encharcadas de delay, chorus, phaser e distorção, cobrem muito bem o espaço
deixado pela falta de órgãos e sintetizadores. Linhas de baixo sem muitas notas
ou variações dão conta de ditar o tom às harmonias simples das faixas. Os
ritmos de bateria com muito uso de tom tons como elementos rítmicos principais –
geralmente são mais utilizados para viradas - e evitando muitas viradas
complementam a parte instrumental que guiam o ouvinte numa viagem musical. O
vocal é característico, porém sem muita dinâmica. Alguns talvez considerem isso
um defeito, pois sem dinâmica o canto falha em transmitir a emoção da música.
Entretanto, encaixa-se adequadamente ao som da banda, pois contribui para um
clima hipnótico nas músicas. Em suma, elementos característicos do Rock
Psicodélico.
O disco abre com a excelente “Outono”, que já demonstra logo de cara o
estilo da banda. A música apresenta simplicidade no que diz respeito à
harmonia. Porém, sobre os poucos acordes, as linhas melódicas da guitarra em
conjunto com o baixo não deixam a música com a sensação de que está faltando
algo. “Declínio de Maio” segue na mesma linha. Sem se prender a melodias convencionais,
a guitarra explora dissonâncias enquanto o baixo mantém poucas notas, sem muita
variação. Essa faixa já se mostra mais psicodélica, com um solo de guitarra viajante
explorando passagens melódicas simples, mas com muito bom gosto sob um D
praticamente estático, no baixo. “Sombras Flutuantes” é uma faixa instrumental
em que a psicodelia toma conta.
As letras das músicas, como dito anteriormente, diferem dos temas
políticos de outras bandas. Para ser honesto, nunca consegui identificar
exatamente a mensagem presente na parte lírica. Sempre pensei que talvez não
houvesse exatamente uma mensagem a ser passada, e que as letras fossem apenas um
complemento para a psicodelia em questão. Recentemente em uma entrevista ao
Território da Música Fábio Golfetti confirmou a tese de que as letras não tem o
objetivo de transmitir uma mensagem, mas sim acompanhar o instrumental da
banda. Palavras relacionando clima, tempo e coisas da mente compõem as letras
do álbum. O disco possui ainda uma excelente versão para a fantástica “Tomorrow
Never Knows”, dos Beatles, em que a banda adiciona suas características, porém
mantendo a essência original da música.
Concluindo, um disco original, bem trabalhado, com um som bem diferente
das bandas da época. Se você gosta de Rock Psicodélico ou tem curiosidade para
conhecer, aqui está uma banda brasileira que sabe muito bem como fazê-lo.
Curiosidade: Embora não haja qualquer citação no site da banda, a
sonoridade desse álbum lembra muito a da banda Echo and the Bunnymen, no
início, principalmente no segundo e terceiro álbuns da banda, que exploravam o
estilo psicodélico.
Integrantes: Fábio Golfetti – Guitarra e vocal
Angelo
Pastorello – Baixo
Claudio Souza - Bateria
Faixas: 1 - Outono
2 - Declínio de Maio
3 – Faces
4 – Luz
5 – Retorno
6 – Dia Eterno
7 –
Noturno Deserto
8 – Sombras Flutuantes
9 – Tomorrow Never Knows
10 – Noite Escura*
11 – Caminho*
12 – Om Voice*
13 – 2000 Light Years from Home*
*Faixas presentes apenas na reedição do álbum em formato de mini LP.
Produzido por Reinaldo B. Brito e Violeta de Outono
Engenheiros de Som: Pedro Fontanari Filho, Stelio Carlini e Walter Lima
Claudio Coev.
Ano:
1987





