Ok, o Pink Floyd não é uma banda desconhecida, e provavelmente mesmo aqueles que não gostam de Rock, conhecem alguma música da banda ou pelo menos o nome. Entretanto, faço esta postagem para divulgar uma outra fase da banda, o início, antes de Roger Waters dominar as composições e acreditar que sem ele a banda não era nada; antes mesmo da entrada do genial David Gilmour para redefinir o som do Pink Floyd. Apesar de algumas pessoas acharem que o grupo se resume a Another brick in the wall, Comfortably numb, Money e, claro, Wish you were here, vamos esclarecer que antes dessas músicas de estruturas não muito longe do convencional, a banda foi responsável por diversas peças musicais com viagens de vinte minutos de duração, com exploração de sonoridades muito longe do convencional.
Mas nosso foco não é esse, e sim seu primeiro álbum, mais voltado para a música psicodélica dos anos 60 - também muito viajante - e antes de entrar para o Rock Progressivo. O líder aqui é Syd Barrett, responsável pelas guitarras, vocal principal e por quase todas as composições do disco, exceto Take up thy stethoscope and walk, de autoria de Roger Waters. Barrett foi responsável também pelo nome da banda, que antes se chamava The Pink Floyd Sound, uma junção dos nomes de dois músicos de blues, Pink Anderson e Floyd Council. O nome do disco também foi escolhido por ele, tirado do livro The wind in the willows.
Como dito anteriormente, as composições não fogem muito do formato simples, com poucos acordes durante as músicas, geralmente dominantes com sétima, uma influência do blues. A exemplo de Astronomy domine, faixa que abre o disco, tem apenas quatro acordes, sem sair da mesma progressão do início ao fim. A bateria num ritmo viajante, fugindo do tradicional Chimbal, bumbo e caixa contribui para a atmosfera psicodélica da música. Os insanos licks de guitarra de Barrett complementam o clima. Talvez você, leitor menos experiente na música psicodélica, esteja pensando como uma música do pink floyd pode ter apenas 4 acordes do começo ao fim sem sequer variar a progressão. Sim, justamente essa simplicidade é que caracteriza a música psicodélica. Os 4 acordes tocados repetitivamente e a bateria sem viradas tradicionais fazem com que por ser repetitivo, sua mente pare de prestar atenção na música e comece a viajar nela, sendo conduzida pelas linhas melódicas insanas que circulam pela mesma progressão. É a essência da música psicodélica, simples em termo de harmonia, mas muito criativa na parte melódica, para conduzir tudo a uma grande viagem.
Outro exemplo é Matilda Mother, em que no meio da música o solo é sustentado por um único F# no baixo de Waters, cuja ausência dos intervalos de terça e quinta dá liberdade para que Wright conduza o solo de seu órgão livremente sem ter que se preocupar com detalhes quanto a escala, se é maior, menor, diminuta ou pentatônica, além de proporcionar um clima menos convencional à música do que fazer uma pentablues tradicional. Fica a dica, leitor, se quiser fazer música psicodélica, não precisa se preocupar em tomar LSD para compor, basta estudar a sonoridade da época e tudo vai se ajeitar. Bom, voltando ao assunto e falando das letras, mais uma banda que foge do tradicional tema de expressar seu amor ou desejo por mulheres. Os temas aqui são mais voltados para astronomia, contos de fadas e outros assuntos da mente alucinada de Barrett.
Formação: Syd Barrett - Guitarra e vocal principal
Roger Waters - Baixo e vocais
Richard Wright - Órgão e Piano
Nick Mason - Bateria
Faixas: 1 - Astronomy Domine
2 - Lucifer Sam
3 - Matilda Mother
4 - Flaming
5 - Pow R. Toc H.
6 - Take up Thy Stethoscope and Walk
7 - Interestellar Overdrive
8 - The Gnome
9 - Chapter 24
10 - Scarecrow
11 - Bike
Produzido por Norman Smith
Engenheiro de som: Peter Bown
Ano: 1967
As informações aqui contidas foram tiradas do encarte original do CD e de documentários sobre a banda. A análise musical das faixas foi feita com base no meu conhecimento musical e interpretação do disco.

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